sábado, 27 de agosto de 2011

Sr. A. (parte 2)

No berçário, para chamar a atenção, em meio aos bebês escandalosos, Sr. A inspirava profundamente, fazendo um silêncio sepulcral.

Sr. A. chorava, sempre que o colocavam no berço: nunca admitiu ninguém atrás das grades sem que provassem a culpa.

Sr. A. evitava lágrimas no colo do pai. Para compensar os 9 meses que foi só da mãe, o fazia crer que só ele estancava o choro do filho.

Por que demorou a aprender a escrever? Sr. A. tinha medo de restringir seu pensamento às palavras.

Sr. A. gastava um caderno por aula. Sempre buscava a precisão: ao copiar a lição do quadro-negro, usava o mesmo tamanho de letra.

Viu a casca da banana, pisou nela e escorregou de propósito: Sr. A. odiava ser pego desprevenido pelo acaso.

Quando perguntaram ao Sr. A. quem ele era, mentiu: disse seu nome.

Sr. A não era frio: é que para não se derramar, muitas vezes encolhia-se em gelo.

“Tenho medo do precipício”. O eremita sempre quis ser sincero, mas só o Sr. A. fez a pergunta correta: Por que não tenta descer a montanha?

sábado, 11 de junho de 2011

FANIQUITO (Marcos Bassini)

Por causa de um faniquito / fui caçar com gato / e matei meu cachorro a grito.

ACASO (Marcos Bassini)

Somo, multiplico, me embaso / planejo meticulosamente / o meu acaso

DOR (Marcos Bassini)

Como uma pedra no rim / passas por mim doendo / tintim por tintim.

(IM)PROVÁVEL

O inexorável arrefece / nada é improvável / depois que acontece

APRENDIZADO (Marcos Bassini)

Não adianta ficar prosa / Nada se aprende (nada) / num mar de rosas

FORÇA DE VONTADE (Marcos Bassini)

Não sei se dá, mas tento / (a pedra nunca é leve / quando a gente é vento)